Natura troca conselho e revê modelo de negócios


Fabricante planeja reduzir de 14 dias para 24 horas o seu tempo médio de entregas.

Há cheiro de mudanças no ar para quem passa pelos corredores do complexo da Natura situado em Cajamar (SP).

Desde sexta-feira (8/4), o mineiro Adilson Antonio Primo, presidente do Grupo Siemens no Brasil e um dos grandes fomentadores da inovação no país, passou a circular pela companhia que chega aos 42 anos com uma receita líquida de R$ 5,1 bilhões, 1,2 milhão de consultoras e uma participação de 23,6% no mercado brasileiro de cosméticos, perfumes e itens de higiene pessoal.

O mesmo pode-se dizer de Marcos Lisboa, vice-presidente de risco operacional e eficiência do Banco Itaú Unibanco e vencedor do Prêmio Economista do Ano 2010, oferecido pela Ordem dos Economistas do Brasil.

Os dois foram anunciados na sexta-feira, durante Assembléia Geral Ordinária e também Extraordinária (AGO/E) em Cajamar, como novos membros do conselho de administração da companhia.

Eles chegam para substituir Edson Vaz Musa, da fabricante de bicicletas Caloi, e José Monforte, da gestora de patrimônios Pragma, que atuaram no conselho durante 13 anos.

Atualmente, a Natura tem um conselho formado por sete membros, sendo que três são independentes, a exemplo de Luiz Ernesto Gemignani, figura tarimbada no tema qualidade.

Com este trio e o retorno do controlador Guilherme Leal ao conselho da companhia, de onde estava afastado desde abril de 2010 quando decidiu se candidatar à vice-presidência da República pela chapa de Marina Silva (PV), a fabricante inicia uma nova fase de sua história.

Ela se mantém nas vendas diretas, mas admite uma revisão em seu modelo de negócios. No futuro, as consumidoras poderão se relacionar com as revendedoras via internet e receber suas compras diretamente da fabricante, admite Alessandro Carlucci, diretor-presidente da Natura.

O sistema logístico, que chegou a ser criticado por uma acionista minoritária durante a assembléia, é uma das áreas que passa por transição. Hoje, o prazo médio para um produto chegar à revendedora é de 14 dias.

A meta é que o tempo de entrega caia em 50% em até três anos e, em um horizonte mais longo, chegue a 24 horas. Para isso, várias mudanças estão sendo conduzidas, como a abertura de novos centros de distribuição e a desobrigação de comprar um limite determinado de produtos para fazer o pedido.

Carlucci admite que, se hoje, o tempo de entrega fosse de um dia, suas vendas poderiam ser bem mais relevantes. Neste caso, a estratégia não é mudar apenas o sistema logístico.

O executivo enfatiza a importância de se abraçar a causa digital para conectar todos os pontos da empresa, incluindo as consultoras e os consumidores. “A Natura é uma rede social não conectada”, diz.

O que começa a se traçar agora é um novo modelo comercial baseado em meios digitais. O intuito é conectar toda a rede Natura por meio da internet e de dispositivos móveis. Tudo de olho no ganho futuro de eficiência.

Fonte: Brasil Econômico – Françoise Terzian   (fterzian@brasileconomico.com.br)

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